Mar sem fim

O mar na zona da Calheta é dos mais procurados da Madeira, pelo clima, qualidade da água, acessos e oferta de atividades

 
 
Visto a partir de um ponto alto, o mar na Calheta parece maior. Esta ilusão pode ser explicada pelo facto de nada se interpor entre a ilha e a linha do horizonte. Não há ilhéus, ou outras ilhas, não há baías amplas, em suma, não há as barreiras visuais como noutros pontos da Madeira.
 
O imenso azul do céu refletido no oceano ajuda a dar esta noção de dimensão, um espaço de proporções gigantescas e de águas límpidas que os responsáveis pelo Município da Calheta têm procurado, nos últimos anos, valorizar.
 
A procura turística pelo concelho ajuda a criar esta necessidade. O clima é ameno e o mar acaba por se tornar uma extensão natural das férias, ou dos momentos de lazer.
 
A conjugação do mar com a orografia difícil, caracterizada por escarpas elevadas que caem abruptamente sobre o mar, torna os acessos ao mar especiais. Na base dessas encostas estão algumas das localidades e também praias e pequenos portos que fazem da Calheta uma das zonas balneares mais procuradas da Madeira.

Estes acessos são também o ponto de partida para atividades náuticas como o mergulho, ou o stand up paddle, que proporciona um passeio agradável em águas com uma enorme limpidez e grande visibilidade.

Uma das atividades de mar mais associadas à Calheta é o surf, descoberto há cerca de quatro décadas por visitantes da ilha e continuado pelos miúdos do Jardim do Mar, que mesmo sem equipamentos profissionais, com muita vontade enfrentavam ‘a onda’ que muitos dizem ser única.

Este interesse continua e o Jardim do Mar permanece uma referência para muitos visitantes. Aqui e na localidade ao lado, o Paul do Mar e em algumas pequenas enseadas mais afastadas, estão algumas das melhores ondas do Mundo, na opinião de vários especialistas.

Por aqui o surf é mais do que uma atividade. Alimenta um culto. Dá corpo a um estilo de vida das populações que sempre viveram em estreita ligação ao mar, sobretudo no Paul, terra de pescadores, muitos deles emigrantes nos Estados Unidos e no Canadá.

A distância entre as freguesias pode ser também uma oportunidade para a competição. Na canoagem, que é modalidade olímpica desde 1936, o número de praticantes tem vindo a aumentar. Um dos percursos mais utilizados, em competições desportivas, ou mesmo em prática de lazer é entre a Vila da Calheta e o Paul do Mar, numa extensão de cerca de 11 quilómetros.

Permite apreciar o recorte da costa, em vistas únicas, que só a partir do mar é possível apreciar. É em busca desta imagem perfeita que diariamente saem do Porto de Recreio da Calheta, barcos de diferentes tipos que se dedicam a passeios perto da costa ou à observação de baleias e golfinhos.

Outras embarcações estão preparadas para a pesca desportiva, dedicada sobretudo ao Espadim-azul, um dos maiores peixes dos oceanos. Esta atividade acontece ao longo de todo o ano, mas anualmente em julho saem daqui pescadores desportivos que participam no Big Game World Cup, o campeonato mundial deste tipo de pesca, que decorre no mesmo dia, em diferentes zonas do Mundo. Ganha quem pescar o espadim com maior peso e, às vezes, a Madeira sai vencedora.

A par do campeonato mundial realiza-se, no Concelho da Calheta, o “Calheta Big Game Challenge” que atrai cada vez mais participantes de fora da ilha.

O aproveitamento do mar passa também pela valorização dos recursos naturais. Esse foi o objetivo da criação da Área Protegida da Ponta do Pargo, que inclui um parque marinho e uma área terrestre. Um dos objetivos é garantir o desenvolvimento sustentado da vida marinha e proteger a paisagem, permitindo que mais pessoas possam apreciar a Natureza.