Ao som de uma viagem no tempo

O Festival de Órgão da Madeira tem um cartaz ambicioso, com estreias e concertos que representam seis séculos de música.

O palco – a Catedral do Funchal - resume os seis séculos de História da Madeira. O acontecimento é uma oportunidade para escutar a interpretação de uma das mais famosas obras orquestrais com órgão, a Sinfonia nº 3 de Camille Saint-Saëns.

É o ponto alto da edição deste ano do Festival de Órgão da Madeira. Os dois órgãos da Sé serão tocados em simultâneo. Um interpretado pelo consagrado João Vaz, diretor artístico do festival e o outro pela madeirense Laura Silva Mendes, que desde 2013 vem trilhando uma carreira internacional. Aos dois organistas junta-se a Orquestra Clássica da Madeira num concerto marcado para 26 de outubro às 21:30 horas e dirigido por Martin André, o único maestro que já dirigiu todas as grandes companhias de ópera do Reino Unido.

A sinfonia de Camille Saint-Saëns representa o século XIX, num ciclo que revisita música entre os séculos XV e XXI, os mesmos da história humana da Madeira. “Cada concerto do festival é dedicado a um século específico”, explica João Vaz, que complementa que “embora se pudesse temer que um programa dedicado exclusivamente ao século XV ou ao século XXI pudesse ser monótono, o facto é que esta opção apelou à imaginação dos músicos”.

A imaginação trouxe outras novidades, como a presença do virtuoso norte-americano Stephen Tharp, que há dez anos estava para vir à Madeira e agora atua na igreja do Colégio, no Funchal, no concerto de abertura, a 18 de outubro, que representa o século XX.

João Vaz destaca igualmente “um concerto com órgão, música eletrónica ao vivo e expressão corporal” numa performance que celebra os elementos terra, ar, fogo, água e espaço, marcada para 25 de outubro pelas 21:30 horas, na igreja de São Martinho. Trata-se de uma encomenda artística criada especialmente para o Festival de Órgão e foi inspirada na descoberta da Madeira.

A associação do festival aos 600 anos da Madeira motivou ainda a apresentação de outras obras inéditas, “especialmente compostas para esta ocasião”, como as Bem-Aventuranças, tema também evocativo da descoberta da Madeira, do compositor madeirense Pedro Macedo Camacho, que terá a estreia absoluta a 24 de outubro na Igreja do Colégio, também às 21:30 horas.

A música de um outro compositor madeirense, mas do século XVIII, António Pereira da Costa, pode ser ouvida no domingo 27, a partir das 18:00 horas, num concerto dedicado ao Barroco na Madeira, no Convento de Santa Clara.

O Festival de Órgão da Madeira acontece entre 18 e 27 de outubro. Oferece 12 concertos em sete igrejas e dois conventos, todos com entrada livre. Nuns casos são recitais de órgão a solo. Noutros acompanhado por vários conjuntos vocais e instrumentais.

A décima edição está novamente descentralizada. Na igreja de Machico vai poder ouvir-se música do século XVI, no sábado, 19 de outubro. Já o hino medieval Ave maris stella, do século XV, será interpretado nas igrejas do Porto Santo, da Ponta do Sol e também no Recolhimento do Bom Jesus, no Funchal.

O festival termina na manhã de 27 de outubro, na missa das 11:00 horas, na Catedral do Funchal, onde os dois órgãos, de novo tocados por Laura Silva Mendes e João Vaz, podem voltar a ser ouvidos, na interpretação de temas de música sacra, no contexto de uma liturgia, para o qual foram compostos.

João Vaz considera o Festival de Órgão da Madeira “de longe, o evento mais significativo do género em Portugal”. É o resultado de um trabalho de restauro de órgãos históricos e até da construção de um novo órgão. “O festival tentou promover esse património e, acima de tudo, trazê-lo ao público”. E o público tem aderido. Na edição de 2018 os concertos foram acompanhados por cerca de 5 mil pessoas.


Programação de detalhada do Festival de Órgão da Madeira:  http://bit.ly/2oHShwY                                                           

 

 

www.festivaldeorgaodamadeira.com