O barco voador

Antes do aeroporto e dos aviões a jato, os hidroaviões marcaram uma forma de chegar à Madeira em grande estilo.

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A 25 de março de 1949 a Era da aviação chegava à Madeira. O hidroavião “Hampshire” da companhia aérea “Aquila Airways” amarava na baía do Funchal, concretizando um voo entre Southampton e Madeira, via Lisboa, a primeira ligação aérea à ilha.

A experiência abriu caminho à exploração comercial da rota, que se tornou regular a partir de maio de 1949. Aquila Airways passou a ser um sinónimo viajar em grande estilo. Os hidroaviões inspiraram até o lançamento de coleções de postais.

Era na altura a forma mais cómoda e rápida de viajar entre o Reino Unido e a Madeira, apenas com uma escala em Lisboa. Esta rota transportou milhares de pessoas, incluindo o estadista britânico Winston Churchill no seu regresso a casa, em janeiro de 1950.

O serviço era feito por vários barcos voadores, como eram conhecidos os hidroaviões, neste caso quadrimotores Short-Silent 45. A companhia chegou a atribuir a um deles o nome ‘Cidade do Funchal’.

A operação manteve-se durante nove anos. Mas a Aquila Airways não resistiu à concorrência da aviação comercial. Em 1957 interrompe as ligações com a Madeira.

A companhia portuguesa ARTOP ainda tentou explorar a rota entre Lisboa e o Funchal, em 1958, utilizando dois hidroaviões batizados de ‘Madeira’ e ‘Porto Santo’, mas sem sucesso.

Seria necessário esperar até 1964 para a Madeira ter um aeroporto, abrindo definitivamente a porta da aviação comercial.



Artigo originalmente escrito em julho de 2019. (Edição N.º 75, agosto/setembro)