7.º edição Festival Órgão da Madeira

A sétima edição do Festival de Órgão da Madeira traz doze concertos à ilha.

É na igreja de São João Evangelista ou, como é localmente chamada, igreja do Colégio [na foto] que está o maior órgão da ilha. com vista privilegiada para o altar, o imponente instrumento é uma das imagens de marca do templo construído no século XVII.

As inúmeras teclas e tubos anteveem um instrumento complexo. Entre os toques com os pés e as mãos, as combinações sonoras possíveis abrangem uma grande variedade de instrumentos, muitas vezes com imitações quase perfeitas de uma viola ou de uma flauta, só para citar alguns exemplos. Não era por acaso que Wolfgang Amadeus Mozart, compositor austríaco, o apelidava de “o rei dos instrumentos”.

Construído de raiz em 2008, é um instrumento que apesar de ter sido fabricado segundo as regras clássicas de construção, mistura características da organaria portuguesa com outras, “sobretudo germânica, de modo a poder a execução de repertórios muito variados”, refletindo a nossa mentalidade atual que é de “fazer um instrumento em que possamos tocar várias coisas”, refere João Vaz, diretor artístico do Festival de Órgão da Madeira.

É devido a essa versatilidade e com o objetivo de tirar partido dela, que Ludger Lohman apresenta um recital baseado numa viagem pela Europa, dos séculos XVII e XVIII, explorando as transformações do idioma musical e as relações entre mestres e discípulos: de Roma a Leipzig, de Frescobaldi a Bach, da organaria italiana à germânica.

O alemão, premiado professor de órgão da Staatlichen Hochschule für Musik und Darstellende Kunst, em Estugarda, é o nome escolhido para o concerto de abertura da 7.ª edição.

No total, de 21 a 30 de outubro, realizam-se doze concertos divididos por oito locais, no Funchal e em Machico.

Para além da igreja do Colégio, as igrejas da Sé, de São Pedro e de São Martinho, e os conventos do Bom Jesus e de Santa Clara, são os outros locais que acolhem os concertos da edição deste ano, no Funchal.

Uma visita à obra de Bach, por Albrecht Koch, na igreja do Colégio, no dia 27, e a missa dominical, no mesmo espaço, no dia 30, com a participação do Coro de Câmara da Madeira, são alguns dos concertos a ter em conta nesta edição.

Para Machico, estão marcadas dois momentos musicais: Um no dia 23 de outubro, na igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, e outro no dia 29, na igreja de Nossa Senhora da Conceição. O primeiro é um concerto de música romântica alemão, apresentado por Armando Possante e António Esteireiro. O segundo intitula-se de “Música nos conventos espanhóis do Barroco” e conta com a performance do organista espanhol Jesús Gonzálo López.

Durante o tempo do festival, há ainda uma exposição no espaço Infoart, com tema “A paisagem organística da Madeira”, com a mostra a dar destaque ao registo fotográfico feito ao longo dos vários anos do festival e do programa de recuperação e valorização do património organístico.

A criação deste festival nasce de uma política de restaurados órgãos da região levada a cabo ao longo da última década. João Vaz relembra que a partir do momento que houve o restauro do órgão da igreja do Colégio já existia um número razoável de instrumentos restaurados: “já havia um par de órgãos suficiente para se fazer algo deste género e foi nesse sentido que o festival nasceu”.

Passados seis anos, João Vaz relembra as dificuldades iniciais do projeto: a imposição de utilizar todos os órgãos que estavam em funcionamento; a necessidade de criar um festival internacional que envolvesse artistas internacionais e a imposição de envolver artistas residentes, imposições que não são tão simples conjugar “sobretudo o facto de encontrar os organistas exatos para cada tipo de instrumento”.

O diretor artístico revela que “é apaixonante trabalhar com este tipo de instrumentos”. A adesão e a divulgação do festival “foi bem-feita e este é um dos fatores de sucesso: a organização”, acrescentado mesmo que “nunca vi uma organização com esta eficiência”. As expetativas estão no máximo.

www.festivaldeorgaodamadeira.com