Silhueta perfeita

A ilha da Madeira ergue-se numa extensão de montanhas cuja origem remonta há 5,2 milhões de anos.

 

É fácil perder-se entre as relíquias madeirenses. Montanhas que parecem tocar o céu, passeios verdes que nos transportam a segredos escondidos da natureza e uma temperatura amena durante todo o ano. Não é por acaso que a chamam Pérola ou Jardim do Atlântico, toda ela de encantos sem fim.

Nascida da atividade vulcânica, a ilha da Madeira é a mais nova do arquipélago mas carrega um legado natural que remonta há 5,2 milhões de anos. Afortunada, com características distintas e uma silhueta de invejar, as montanhas imponentes erguem-se num festival de cores, formas e vida.

Vista do mar e da costa norte do Porto Santo contempla-se uma ilha com uma forma alongada “que tem 58 km na direção este-oeste e 23 km na direção norte-sul”, conta o engenheiro geólogo João Baptista. Dois terços da área são paisagem natural protegida. A presença humana ocupa o restante território. Um raro caso de natureza num estado autêntico de conservação.

Um dos monumentos naturais está nas montanhas que formam o maciço central. “Entre a Ponta de São Lourenço e a Ponta do Pargo temos uma cordilheira central que funciona como um contraforte e o que ficou desta cordilheira deve-se ao desenvolvimento e crescimento da ilha através de um rift”, ou seja, uma fenda na crosta terrestre, que expeliu o material vulcânico que originou a ilha, explica João Baptista.

A escarpa vulcânica da cordilheira avista-se desde o Pico Ruivo. Com 1.862 metros é o ponto mais alto da ilha. Com uma abundante vista de 360 graus sobre os picos madeirenses, o acesso só é possível a pé. Um dos caminhos é a Vereda do Areeiro, um desafio da Natureza ao nível dos mais aventureiros.

A Vereda da Ponta de São Lourenço é outro ícone da paisagem, o extremo leste da ilha. São quatro quilómetros de beleza montanhosa, onde o mar espreita, sendo até possível mergulhar à chegada do Cais da Sardinha.

Viver nas encostas de um vulcão é emocionante. Esquece-se por vezes o lugar mítico que pisamos. Desde as crateras, localizadas no Fanal e no Sítio de Santo António (Santo da Serra), passando pelo Curral das Freiras - uma localidade rodeada de montanhas, que rondam os 1.700 metros de altura.

A viagem pode terminar no Cabo Girão, o promontório mais alto da Europa, 589 metros acima do nível do mar, que termina num miradouro com uma plataforma de vidro suspensa.