Jazz anima noites madeirenses

Músicos internacionais marcaram Funchal Jazz Festival

O jardim que tem a baía do Funchal como pano de fundo, o Parque de Santa Catarina, foi o cenário habitual para mais uma edição do Funchal Jazz Festival 2018 que aconteceu entre os dias 12 e 14 de julho.

O ambiente criado pelos jogos e efeitos de luz de tons azuis, rosa e vermelhos preparavam o público para um serão agradável nesta que foi a edição mais premiada de sempre, pois os artistas envolvidos já arrecadaram 13 prémios e nomeações para os Grammy.

Uma das forças maiores do jazz nacional, criada em 2013, o Ricardo Toscano Quarteto, foi o primeiro a abrir o evento pelas 21:30 horas com um tema original. O grupo constituído por Ricardo Toscano, no saxofone, João Pedro Coelho, no piano, João Pereira, na bateria, e Romeu Tristão, no contrabaixo, fez ao longo de uma hora e dez minutos uma atuação que brindou o público com a sua improvisação e energia.

A norte-americana, Jazzmeia Horn, uma das revelações atuais do jazz, atuou no fim do primeiro dia quando eram aproximadamente 23:00 horas. Tendo sido premiada este ano pelos críticos da Jazz Times como “Best New Artist” e nomeada para os Grammy 2018 com o álbum “Social Call” a artista, acompanhada por Marcus Miller, no saxofone alto, Victor Gould, no piano, Géraud Portal, no contrabaixo, e Henry Conerway III, na bateria, cantou algum dos seus temas como Tight e East of the Sun (And West of the Moon) levando os presentes ao rubro por diversas vezes.

A 13 de julho, foi com o mais premiado músico de jazz desta década, o pianista Vijay Iyer, que a segunda noite do evento começou. O Vijay Iyer Sextet - considerado Grupo de Jazz do Ano, pela Jazz Journalists Association – constituído ainda por Graham Haynes, no trompete, Steve Lehman, no alto saxofone, Mark Shim, no saxofone tenor, Stephan Crump no contrabaixo, e Jeremy Dutton na bateria deram a conhecer alguns dos temas do disco “Far From Over”.

Entretanto, foi a vez de Billy Hart Quartet featuring Joshua Redman subirem ao palco. A banda coliderada pelo baterista Billy Hart e formada ainda por Joshua Redman, no saxofone tenor, Ethan Iverson, no piano, e Ben Street, no contrabaixo, mostrou-se incansável na realização de uma agradável performance. De salientar ainda o vigor, mas também a eloquência de Billy Hart que aos 78 anos de idade demonstrava na apresentação de cada música.

No último dia do evento, o público foi contemplado por dois grandes nomes do jazz, o contrabaixista Dave Holland e o saxofonista Chris Potter, bem como pelo recentemente eleito “Percussionist of the Year”, pela Jazz Journalists Association, Zakir Hussain, que toca tabla. De salientar nesta performance, a agilidade de Zakir Hussain na precursão, bem como o som inconfundível do saxofone.

Ao longo do concerto, foi notória a harmonia existente entre os três instrumentos. Para além do excelente desempenho, os artistas também zelaram pelo contato visual com o público, contribuindo assim para uma maior ligação de proximidade entre ambas as partes.

O entusiasmo do público foi evidente diversas vezes através de aplausos, especialmente nos momentos em que o saxofonista Chris Potter dava entrada na atuação, atendendo que houve uma predominância de momentos em dueto, entre o contrabaixo e a precursão

Seguindo para o segundo trio da noite, o concerto de encerramento coube a Jason Moran & The Bandwagon, banda que está junta desde 2000, ano em que também se realizou a primeira edição do Funchal Jazz Festival. O pianista, Jason Moran, o baixista Tarus Mateen e o baterista Nasheet Waits compõem este grupo que produz um jazz de hoje, onde o hip-hop e o drum & bass são naturais no seu repertório.

Após a primeira música, apresentaram a banda como também a segunda música a ser tocada e onde foi salientada a importância que o blues transmite no próprio som. Uma atuação mais calma e emocionante, em que a combinação dos três instrumentos reflete uma história dentro da música. Quase no final deste concerto, o pianista Jason Moran brilhou com um momento a solo, contagiando o público com a sua destreza no instrumento.

Três dias plenos de atuações e com boas molduras humanas assinalaram assim este evento que tem vindo a mostrar a sua crescente qualidade, não só a nível nacional, mas também internacional.