O vinho e o rum da Madeira

Dois produtos com uma história de séculos têm sabido adaptar-se aos tempos e ajudam a projetar o nome da Madeira no Mundo.

rumevinhos

Duas bebidas surgiram quase ao mesmo tempo na História da Madeira: o vinho e o rum. A produção de ambos é tão antiga como os 600 anos da presença humana na ilha. O vinho é mundialmente famoso. O rum tem vindo a ganhar cada vez mais notoriedade internacional.

Ambos fazem parte de um conjunto de produtos madeirenses de qualidade que o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM) promove, através de diversas ações. A mais recente é uma campanha de Natal e Fim-de-ano, que apela aos consumidores locais e também aos visitantes.

A campanha inclui também os chamados vinhos tranquilos, tintos, brancos e rosé, além dos espumantes. Mas estes, comparados aos tradicionais fortificados, são ainda crianças, que começam a ganhar nome e vão adquirindo qualidade. Mesmo assim mais de uma dezena de produtores trabalha para acrescentar os vinhos de mesa ao leque das bebidas madeirenses famosas.

Juntar o rum e o vinho Madeira parece um paradoxo, e de facto, como bebidas são diferentes. O Rum da Madeira, conhecido localmente por aguardente, é comparado aos melhores conhaques do Mundo. O vinho Madeira tem características únicas devido ao método de envelhecimento baseado no calor. E por causa disso é único no Mundo!

O vinho e o rum estão muito presentes na cultura madeirense. Os Madeira como aperitivos, ou digestivos. O rum como digestivo, ou como a base alcoólica da famosa poncha da Madeira.

Os produtores têm investido na modernização e na promoção internacional. Diversificam os lançamentos, melhoram os métodos de produção, apostam na imagem e o resultado nota-se na qualidade. Aos prémios internacionais habituais do Vinho Madeira, juntam-se também agora os prémios do Rum da Madeira.

As primeiras vinhas terão sido plantadas na Madeira na década de 1420, com a chegada dos primeiros povoadores. O vinho fazia parte da cultura mediterrânica e a sua implantação na primeira ilha povoada por europeus no Atlântico era um processo natural. Mas era um vinho corrente, sem grande qualidade, apenas para consumo dos residentes.

O início da produção de rum é quase simultâneo. Os primeiros engenhos para moer a cana-de-açúcar datam de cerca de 1450. Nessa altura as primeiras canas já tinham florescido e a Madeira iniciava um ciclo de pujança económica a partir da indústria açucareira. O rum era um subproduto.

No início do século XVI surgem relatos que atestam a qualidade da casta malvasia da Madeira. Mas só na segunda metade do século XVII o vinho passa a ser uma cultura determinante. Nessa altura já tinha sido feita a descoberta de que os barris, sujeitos a viagens por zonas quentes, nos porões dos navios, ganhavam qualidade.

Nasce o vinho torna viagem e o Madeira ganha fama como fortificado. Como sobrevivia e melhorava nas viagens torna-se referência na América do Norte e na Europa. A técnica de produção também evolui.

Por outro lado, o rum acompanhou o declínio da cultura da cana-de-açúcar, no século XVI, embora fosse sempre produzido para consumo local. Só a partir da segunda metade do século XIX a produção ganha importância económica na Madeira. Foi uma forma de compensar um período marcado por crises cíclicas na vinha, mas também uma oportunidade de criar uma nova atividade económica.

Também a partir dessa altura o Rum da Madeira começa a evoluir. Vários produtores usam barricas, que antes tinham servido para o envelhecimento de vinho, para nelas guardarem os runs durante vários anos. A quantidade de aguardentes envelhecidas aumentou e os diversos produtores acumularam reservas, que ajudaram a lançar a nova fase do rum da Madeira.

Esta fase procura tirar partido da História e da tradição madeirenses na produção desta bebida destilada. Mas a qualidade é também reconhecida. Os envelhecimentos sucedem-se e há lotes colocados durante anos em barricas de bourbon, ou whiskey.

Para criar regras foi criada a indicação geográfica protegida (IGP) “Rum da Madeira”, que salvaguarda o método de produção e define critérios para o lançamento com idades de envelhecimento de 3 anos, ou reservas de 6, 9, 12, 18, 21e 25 anos. Também o vinho tem na Madeira uma (IGP) e uma das mais antigas regiões demarcadas de Portugal, a DOP Madeira.

Também por esta via são definidos os critérios para o lançamento de vinhos de diferentes idades, sejam 5, 10, 15, 20, 30, 40 ou mais de 50 anos, ou ainda colheita de determinados anos, conhecidos por frasqueira.

História não falta nestes produtos. E opções também não. É tudo uma questão de escolha!

ivbam.madeira.gov.pt