A rua da imperatriz

A atual Rua Imperatriz D. Amelia, já teve outro nome e um traçado diferente

Era uma das principais saídas do Funchal no sentido poente, e passaria entre casas e jardins de algumas das mais conceituadas e abastadas famílias da Madeira, e denominava-se Rua das Angústias, pelo facto de parte do trajeto passar junto ao Capela das Angústias, que existia em terras do Morgado Diogo da Costa Quintal.

Ganhou relevo e ainda maior importância, quando em agosto de 1852, a Imperatriz-viúva do Brasil D. Amélia e a sua filha, a princesa D. Maria Amelia, se instalaram nesta zona, na Quinta das Angústias, em busca do bom clima da Madeira, para tentarem recuperar a saúde da princesa, que sofria de doença pulmonar grave.

Infelizmente a princesa não conseguiu recuperar, vindo a falecer em fevereiro de 1853, mas a convivência com a dura realidade desta doença, impulsionou o compromisso, por parte da Imperatriz, de criar um hospício para tratamento desta enfermidade, um edifício que ainda hoje existe, junto à quinta onde a princesa passou os últimos dias.

A história desta princesa, contribuiu em muito para o período romântico da Madeira, onde as grandes famílias aristocratas e várias personalidades importantes europeias, segundo alguns autores, se deslocavam à ilha para tratamento de doenças do foro respiratório, devido ao bom clima da ilha.

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A Rua das Angústias mudaria de nome. Passaria a chamar-se Imperatriz D. Amélia, mas viria a perder parte do seu traçado, na década de 1930, com a abertura da Avenida do Infante, precisamente na parte onde existem ligações à imperatriz.

Mas grande parte da rua continuou a chamar-se Imperatriz D. Amélia. Continua a ser uma artéria com uma componente habitacional, mas também turística. Merece uma referência especial a memória do antigo hotel Savoy, aqui edificado nas décadas 20 e 30 do século XX e já por duas vezes reconstruído.

Mas hoje a Rua da Imperatriz, a forma simples como muitos a conhecem, é um espaço virado para o lazer, com diversos restaurantes e bares e onde se identificam sinais de edifícios de épocas anteriores, como a Quinta da Penha de França, cuja capela remonta ao século XVII. Num dos edifícios anexos, fronteiros à rua, existe uma reprodução em painel de azulejos de uma pintura de Max Römer, pintor alemão que se radicou na Madeira. É uma pintura de um fontenário do século XIX, que ainda existe precisamente nesta rua.