Aeroporto: A porta para os céus

O Aeroporto da Madeira entrou em funcionamento há 50 anos, com uma realidade bem diferente da de hoje.

 
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Eram 11:24 horas da manhã de 8 de Julho de 1964 quando o avião Super Constellation da TAP aterrou na pista do Aeroporto da Madeira. Foi recebido com grande aparato e transportava muitos convidados, pois era o voo inaugural do aeroporto, um desejo antigo dos madeirenses, que naquele dia se tornava realidade.
A inauguração teve a presença do Presidente da República e foi um dia de festa, com salvas e música, que marcou o início de uma nova etapa para a Madeira. A partir desse dia o isolamento da ilha era menor e o barco ou hidroavião deixavam de ser as únicas formas de partir e chegar à ilha.

O aeroporto nasceu precisamente como uma porta contra o isolamento, mas também foi construído para servir o turismo. Em cinco décadas tornou-se a principal porta de entrada de visitantes na ilha.

A título de exemplo, em 1965, primeiro ano completo de operação registaram-se 1.724 movimentos de aeronaves e foram transportados 69.142 passageiros. Em 2013 o número de movimentos foi de 23.335 que corresponderam ao transporte de um total de 2.374.484 passageiros.

Nos primeiros tempos o movimento estava reduzido a cinco frequências semanais entre o Funchal e Lisboa. Mas desde logo foram autorizadas as operações charter, que começaram a trazer turistas. O mar deixou progressivamente de ser a porta de entrada na ilha e a Madeira acompanhou a tendência mundial do crescimento do transporte áereo, na década de 1960.

Hoje em dia a realidade é diferente. Da pequena pista inicial de 1.600 metros já só resta a memória. Em 2013 o Aeroporto da Madeira esteve ligado a 77 aeroportos. Na pista tocaram aviões de 43 companhias aéreas, sobretudo de países e cidades da Europa, onde estão algumas das principais como Londres, Paris, ou Berlim.

Até ao momento, este ano, existem 7 novas rotas: Dijon, Clermont Ferrand, Beauvais, Perpignan, Erfurt, Gdansk e Wroclaw e 2 novas companhias aéreas, a Volotea e a AeroVip.

O avião que inaugurou o aeroporto, a 8 de Julho de 1964 não foi o primeiro na pista de Santa Catarina. Em 1957 aterragens de um avião de testes numa versão improvisada da pista ajudou a decidir que aquele era o local adequado à construção do aeroporto. Nos meses antes da abertura da pista foram efectuados diversos voos para treino de tripulações e para definição dos limites operacionais, pelo que a aterragem de 8 de Julho foi apenas um acto formal.

Conseguir reunir as vontades para tornar a obra possível não foi uma tarefa fácil e só em 1961 foi lançado o concurso público para a construção. O Aeroporto da Madeira não é o mais antigo do arquipélago. A ilha do Porto Santo viu a sua pista inaugurada em Julho de 1960 e durante algum tempo chegou a pensar-se que a solução passava por levar os passageiros de avião para o Porto Santo e transportá-los de barco para a Madeira.

A pista inicial depressa se revelaria insuficiente para a operação com aeronaves maiores, que precisavam de distâncias maiores para as descolagens. Essa realidade tornou-se evidente com o acontecimento de 19 de Novembro de 1977, em que um Boeing 727 da TAP se despenhou no final da pista, custando a vida a 106 das 161 pessoas a bordo.

A pista viria a ser aumentada, primeiro em 200 metros e mais tarde para o comprimento que tem hoje, que é de 2.781 metros. A abertura da nova pista a 15 de Setembro de 2000 foi, na prática, a abertura de um novo aeroporto, até porque a actual aerogare, a terceira a ser construída, entraria em funcionamento em 2002. O Aeroporto da Madeira estava assim dotado de uma pista intercontinental, que permitia a operação de aeronaves de longo curso.

A obra da pista, parcialmente sobre pilares prolongando-se num aterro onde antes havia uma baia, tem sido usada internacionalmente como um exemplo da complexidade da engenharia. O engenheiro responsável pelo projecto, Segadães Tavares, foi mesmo distinguido com o prémio IABSE Outstanding Structure Award em 2004, considerado o "óscar" da engenharia.

Hoje em dia há quem compare o Aeroporto da Madeira a um porta-aviões, pela sua forma. Durante a construção deste "novo aeroporto" o movimento de aviões nunca parou. A nova infraestrutura modificou substancialmente a paisagem e aumentou várias vezes a área total do aeroporto.

A principal porta de acesso à ilha é uma estrutura moderna, que tem vindo a crescer ao longo das décadas. À medida que o transporte aéreo se torna cada vez mais comum também cresce a oferta de serviços. No caso da Madeira o espaço Airshopping que reúne as áreas comerciais do aeroporto foi objecto de um grande investimento, melhorando e aumentando o número de lojas e criando uma nova praça de restauração.

Na aerogare do Aeroporto da Madeira há um terraço de onde se pode observar os passageiros que embarcam e desembarcam em alguns dos aviões estacionados na placa. É um espaço de saudade, onde familiares lançavam e ainda lançam olhares de despedida antes de longas ausências, ou de alegria por quem chega. O terraço já existia na versão anterior da gare e foi mantido na actual, em nome da tradição. Este terraço é o melhor lugar para compreender o isolamento de uma ilha e para lembrar que além de o turístico, o aeroporto é também a principal ponte da Madeira e dos madeirenses com o Mundo.