As ilhas onde tudo acontece

O Destino Madeira foi considerado o Melhor Destino Insular da Europa. A Essential apresenta aqui algumas razões, que podem explicar esta escolha.

 

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Quando os resultados dos World Travel Awards foram conhecidos, a 31 de Agosto, a vitória da Madeira na categoria de Melhor Destino Insular da Europa ecoou depressa. Não só estas ilhas ganhavam a distinção, como superavam forte concorrência, de alguns dos principais destinos insulares do velho continente. A escolha fez-se a partir de uma votação on line.
 
Na tentativa de explicar as razões desta escolha, há uma palavra que resume a ideia: Microdiversidade! O termo explica a quantidade de coisas para ver e fazer nestas ilhas, apesar da sua pequena dimensão.
 
O Destino Madeira é antigo e cheio de tradição. Passaram quase 200 anos desde a chegada dos primeiros viajantes, que vinham para ficar temporadas, aconselhados pelos médicos europeus a uma "cura de ares" nesta ilha, nos meses de Inverno. Uma dessas doentes famosas foi a Imperariz Sissi da Áustria. O tempo fez evoluir o destino, mas as marcas das diferentes épocas dos 600 anos de história humana da Madeira estão presentes.
 
Foi a localização geográfica que tornou este arquipélago conhecido. Descobertas no século XV, foram os primeiros territórios dos descobrimentos portugueses. Foram as primeiras a ser colonizadas e serviram de laboratório para testes de produtos agrícolas, modelos administrativos, hábitos e culturas que, a partir daqui, se espalharam pelo Mundo.
 
A ilha funcionou sempre como um entreposto que ligava o velho e o novo Mundo. Parte desta simbiose foi absorvida ao longo dos séculos e ajudou a moldar, não só a paisagem, como também as pessoas e as referências culturais que a influenciam. Por aqui foram passando navios de e para a Europa, trazendo pessoas de todas as culturas. Graças a esses navios os madeirenses espalharam-se pelo planeta, na emigração, trazendo de volta novos hábitos e enriquecendo as vivências.

O Funchal é o melhor exemplo. Embora possa parecer, não é uma cidade mediterrânica, nem propriamente europeia. É uma cidade Atlântica, a primeira construída pela expansão europeia fora do continente, que serviu de inspiração e modelo. As ruas são reflexo de várias épocas e diversas influências. Embora parte da baixa tenha sido desenvolvida ao longo da primeira metade do século XX, o conjunto contribuiu para a ideia de uma cidade cosmopolita, por onde circulam locais e visitantes e onde se encontram diversos tipos humanos, que a tornam multicultural.

Um outro exemplo da diversidade está na paisagem natural. A ilha é dominada pela Laurissilva, um tipo de floresta húmida classificada pela UNESCO como património Mundial da Humanidade. São 15 mil hectares de um verde luxuriante, que nos parece transportar ao princípio dos tempos. Esta floreste convide com centenas de espécies de outras plantas, vindas de todo o Mundo e que foram introduzidas ao longo dos séculos, nos jardins e terrenos da ilha.
 
A Natureza, a História e a Localização Geográfica, são os três pilares deste destino, ao qual se junta o clima temperado.

Mas em que é que tudo isto se traduz em razões para visitar a Madeira? A palavra é experiência! O conjunto proporciona umas boas férias. Há actividades para todos os gostos e hotéis de grande qualidade. Poucos destinos na Europa proporcionam a qualidade que os hotéis da Madeira apresentam. A isto associam-se características únicas, que dão identidade à ilha.

A floresta Laurissilva proporciona algumas dessas experiências. É atravessada por vários quilómetros de canais de irrigação - as levadas, construídos ao longo dos séculos e que ainda estão activos. Servem também de trilhos para a exploração da ilha a pé. As levadas são uma tradição, mas outras actividades são bastante mais recentes. Uma delas, é o canyoning, uma forma de exploração através dos cursos de água que descem pelas montanhas em percursos acidentados.
 
No mar multiplicam-se os locais de mergulho, com a particularidade de que não é preciso andar de barco para mergulhar. No fundo encontramos águas límpidas, paredes, grutas e várias espécies de peixe. À superfície, um passeio de barco é quase obrigatório. O whale-watching é uma imagem de marca da Madeira, já que nestas águas podem ser avistadas, em diferentes alturas do ano, 28 espécies e baleias e golfinhos. Vários tipos de embarcações oferecem passeios junto à costa. O mar também é procurado pelo surf, havendo aqui ondas de reconhecido mérito mundial, para não falar de piscinas naturais, pequenas praias ou baías, que além da beleza, são também praias singulares.

A temperatura amena da água e a imensidão do oceano estão sempre presentes na Madeira, assim como as suas montanhas. Os teleféricos são uma forma de vencer os percursos montanhosos. Levam, por exemplo, a praias como o Garajau, ou a localidades simbólicas como o Monte, conhecido pelas suas quintas, pelos jardins e por ali estar sepultado o último imperador do Império Austro-Húngaro.
 
Pela cidade multiplicam-se as ofertas de passeios em transportes alternativos, desde os Tuk Tuk a carros eléctricos, automóveis clássicos, bicicletas, ou até segways. Todos prometem mostrar os recantos do Funchal, com a sua luz e cor e com a parte antiga que é hoje em dia um dos locais mais vivos da cidade, com dezenas de bares e restaurantes e com arte urbana nas Portas e fachadas da Rua de Santa Maria. Fora do Funchal, além de passeios a pé há percursos de jeep ou uma simples partida, de carro à descoberta da ilha e das suas pitorescas localidades.
 
Mas as tradições mantêm-se, como descer do Monte num carro de cestos, ou provar a espetada e o bolo-do-caco, símbolos da gastronomia da Madeira, constantemente reinventados e cujo sucesso se deve ao facto de serem também consumidos nas casas dos madeirenses. Esta paixão dos madeirenses pelo que é seu é um dos segredos da identidade que qualquer visitante encontra. Um expoente é a poncha, bebida feita a partir de aguardente de cana, mel e sumo de limão. Além de tradicional é a uma das bebidas mais consumidas na noite madeirense e por isso está em constante renovação e recriação. É um símbolo e uma referência obrigatória.

A poncha simboliza muito do que tem sido a evolução do Destino Madeira: é cada vez mais dinâmico, menos contemplativo e mais vivido, mais jovem, vivo e cheio de oferta e opções. A noite madeirense é de qualidade é vibrante. A paisagem tem muita força. Os restaurantes oferecem muitas opções e o clima ajuda.
Tudo isto convive em harmonia com a tradição, com a lista interminável de personagens famosas que aqui fizeram férias, com a tradição secular do Vinho Madeira que também se reinventa todos os dias, com os jardins exuberantes ou com as quintas carregadas de história.

Esta tradição que se sente por todo o lado é temperada pela modernidade. O conjunto torna a experiência única e é causa para uma taxa de repetentes de quase metade dos visitantes e tudo isto porque a Madeira oferece Microdiversidade.